‘ESTRANHO NO NINHO’, CAFFARELLI DEIXA CIELO

Por Álvaro Campos e Talita Moreira | Valor Econômico

O presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, decidiu renunciar ao cargo por desalinhamento com o governo, que, por meio do Banco do Brasil (BB), divide o controle da companhia com o Bradesco.

Segundo o Valor apurou com três fontes a par do assunto, o executivo sabia desde sempre não ser o nome desejado pelo governo para a Cielo, e decidiu sair agora, no contexto da discussão entre os sócios sobre o futuro da empresa de pagamentos. BB e Bradesco têm sociedade não apenas na credenciadora, mas numa série de empresas na área de cartões e vêm discutindo o rumo de algumas dessas participações.

A renúncia de Caffarelli foi anunciada na noite de quarta-feira e, para o lugar do executivo, o conselho de administração da Cielo nomeou Gustavo Sousa, atual vice-presidente de finanças e relações com investidores da empresa. De acordo com duas fontes, a escolha se deu porque o executivo dará continuidade à agenda de transformação já em curso na companhia e porque representa um nome técnico, embora ele e o atual presidente tenham estilos diferentes.

O Valor apurou, no entanto, que o BB também sondou para o cargo o nome de Nelson de Souza, atual presidente do Desenvolve SP, banco de fomento do Estado de São Paulo e ex-presidente da Caixa. Embora esteja na gestão Doria, Souza é historicamente visto como um nome ligado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

De acordo com uma das fontes, a ideia de colocar Souza não teria sido completamente abandonada ainda e o BB veria nele um caminho para promover a “virada” pretendida nos resultados da Cielo.

A decisão de sair partiu de Caffarelli. Não houve, de acordo com interlocutores, pressão explícita do governo nesse sentido. Porém, o executivo sempre foi visto no governo como um estranho no ninho por ser uma herança da era PT. O presidente da Cielo foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda e chefe do banco de investimentos do BB no governo Dilma, para desgosto da ala ideológica, e presidente do banco no governo Temer. Esse histórico nunca agradou o bolsonarismo . Some-se a isso o fato de que, apesar de uma série de mudanças adotadas na empresa, os resultados da Cielo ainda não mostram a recuperação que se esperava.

Só que substituir Caffarelli não era uma questão simples. O executivo chegou à presidência da credenciadora em 2018 por indicação do Bradesco, no intrincado casamento entre o banco da Cidade de Deus e o BB, que envolve não apenas a Cielo como uma série de ativos na área de cartões.

O Valor apurou com três fontes que o desejo de que Caffarelli fosse substituído chegou aos ouvidos de Rubem Novaes e André Brandão, respectivamente o primeiro e o segundo presidentes do BB durante o governo Bolsonaro. No entanto, ambos gostavam do executivo e não fizeram nenhum movimento para trocá-lo.

Agora, com Fausto Ribeiro à frente do BB, o próprio Caffarelli se antecipou, já que o executivo vem promovendo uma série de mudanças nas vice-presidências e nas subsidiárias do banco.

A renúncia de Caffarelli adiciona, no curto prazo, mais incertezas a uma companhia já rodeada de desafios. No entanto, para analistas do BTG Pactual, não deve trazer grandes impactos nos negócios. “Entretanto, acreditamos que o novo CEO pode acelerar algumas iniciativas importantes, especialmente na questão digital e com outros desafios à frente”, escreveram em relatório.

O BTG lembra que, por quase três anos à frente da Cielo, Caffarelli liderou melhorias operacionais, enquanto promovia uma transformação cultural e digital da companhia.

Na visão de analistas da XP, a saída do executivo é negativa independentemente do motivo porque “adiciona mais uma camada de incerteza à gestão da Cielo, que já está pressionada dado que seus acionistas estão divididos sobre o que fazer com a empresa”.

Por outro lado, a plataforma de investimentos Genial destacou que a situação da Cielo “pior do que está não fica”. Os analistas da casa observaram que, durante a gestão atual, a credenciadora perdeu metade do valor de mercado, com o aumento da competição e impacto da pandemia. “Caffarelli estava tentando conduzir uma transformação na empresa, mas em detrimento de rentabilidade. Ele fechou parcerias com o Facebook e Google, a fim de viabilizar o WhatsApp Pay e pagamentos digitais no Google Meu Negócio”, disseram.

As ações da Cielo foram negociadas em baixa durante boa parte do pregão de ontem. No fim da sessão, fecharam cotadas a R$ 3,93, com alta de 0,77%.

Procurados, BB e Caffarelli não comentaram o assunto.

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